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Economia azul gera anualmente entre 300 e 406 mil milhões USD ao PIB africano

Amilton Victor
16/9/2026
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Foto:
Isidoro Suka

Apesar da trajectória ascendente, o novo ciclo macroeconómico do sector obriga a que os governos convertam a maturidade acumulada, há anos, em execução efectiva.

A economia azul gera, anualmente, entre 300 e os 406 mil milhões de dólares norte-americanos ao Produto Interno Bruto africano, sendo responsável por cerca de 49 milhões de postos de trabalho. Os dados constam de um estudo apresentado, nesta quarta-feira, 16, em Luanda, na VI Conferência E&M “Economia Azul”.

Segundo a pesquisa, realizada pela empresa KPMG Angola, as projecções apontam que, até 2030, o sector atinja uma contribuição acima dos 406 mil milhões USD e amplie a sua força de trabalho para 57 milhões. A longo prazo, alinhado com a meta da Agenda 2063 da União Africana, prevê-se que o sector alcance 576 mil milhões USD, gerando perto de 78 milhões de empregos em todo o continente.

O tráfego portuário de contentores no continente regista um crescimento médio ascendente, projectando-se que a movimentação global de cargas ultrapasse os 2 mil milhões de toneladas até 2063, um salto quadruplicado em relação aos 500 milhões de toneladas registados em 2018.

Conforme a pesquisa, o sector da aquacultura em África figura entre os mais dinâmicos do ecossistema alimentar, com taxas de crescimento anual situadas entre os 8% e os 12,5%, alinhadas com a meta da FAO de atingir um incremento de 35% até 2030.

Segundo Carlos Borges, Head of Advisory da KPMG Angola, que apresentou, no evento, o estudo intitulado “Economia Azul e o Novo Ciclo Industrial de Angola”, o desempenho do segmento da aquacultura é sustentado pelo avanço da piscicultura marinha e da malacocultura, nomeadamente o cultivo de ostras e mexilhões, que surgem como fonte regenerativa de proteína de alto rendimento industrial sem necessidade de ração externa.

De acordo com o especialista, apesar da trajectória ascendente, o novo ciclo macroeconómico do sector obriga a que os governos africanos “convertam” a “maturidade” acumulada, há anos, em “execução efectiva”.

Neste contexto, acrescentou, a Declaração de Luanda (assinada em 24 de Julho de 2026) define “metas concretas” até 2030, acabando com a “era de compromissos gerais”. A estratégia dos países africanos, continuou, deve passar pela “conversão dos objectivos traçados em pacotes orçamentados e financiáveis”, e com indicadores-chave de desempenho (KPIs) “bem” definidos.