A Angola Catalytic Finance Initiative (ACF), programa de financiamento misto gerido pela Hemera Capital Partners e apoiado pelo Fundo Conjunto das Nações Unidas, pretende mobilizar entre 15 a 20 milhões de USD, combinando capitais para mitigação de risco e financiamento privado.
A medida, apresentada esta quarta-feira, 21, em Luanda, pela consultora PwC, no âmbito do estudo '0Sustentabilidade, Governance e Financiamento como motores de criação de valor na economia angolana', pretende alavancar a produção nacional, com foco inicial na cadeia de valor da avicultura e da produção de rações animais.
O programa surge como uma resposta directa às elevadas taxas de juro e à exigência de garantias físicas severas que, historicamente, afastam os bancos comerciais do sector agrícola angolano.
A iniciativa assume os riscos iniciais das operações rurais, abrindo as portas do crédito a pequenos produtores e pequenas e médias empresas (PMEs).
Com um tecto inicial projectado de 15 a 20 milhões de USD, este progrma de dívida é direccionado exclusivamente para o segmento avícola (frango e ovos).
O grande diferencial do ACF é a existência de uma tranche concessional de cerca de 7 milhões de dólares destinada à absorção de primeiras perdas. Esta almofada financeira absorve os primeiros incumprimentos, protegendo os bancos comerciais parceiros e viabilizando a aprovação dos créditos.
Numa segunda fase de escala macro, este fundo projecta captar 80 milhões de USD para replicar o modelo noutras vertentes agrícolas e corredores logísticos do país.
A iniciativa conta ainda com uma dotação semente global superior a 11,6 milhões USD gerida pelo Joint SDG Fund para subsidiar a assistência técnica e dar suporte operacional ao arranque do mecanismo.
Os juros cobrados deverão fixar-se em cerca de metade da média do mercado comercial corrente, cujos períodos de reembolso se estendem entre 6 a 8 anos, respeitando o ciclo biológico de maturação e retorno financeiro do agronegócio.
A elegibilidade do programa foi desenhada para integrar toda a cadeia de abastecimento, desde o campo até à mesa do consumidor:
Pequenos agricultores e famílias camponesas: Focados no cultivo de milho e soja, matérias-primas cruciais para a autossuficiência no fabrico de rações.
Micro, Pequenas e Médias Empresas: Criadores locais, operadores de matadouros, distribuidores de insumos e pequenas fábricas de ração.
Grandes Integradores: Empresas-âncora que compram a produção aos pequenos camponeses, garantindo o processamento e o escoamento industrial do produto final.
Cooperativas rurais: Instituições financeiras não bancárias que dinamizam o microcrédito local.
Capacitação obrigatória como garantia de sucesso
Um dos pilares fundamentais para que o crédito seja concedido é a associação obrigatória à facilidade de assistência técnica. Numa parceria estratégica com agências das Nações Unidas, como a FAO e o PNUD, o programa prevê formar cerca de 4 000 agricultores familiares e 120 MPMEs.
Os beneficiários receberão incubação de negócios, mentoria na elaboração de contabilidade organizada e formação prática em técnicas de avicultura moderna e resiliente às alterações climáticas. A meta é garantir que as empresas se tornem estruturalmente sustentáveis e “bancáveis” a longo prazo.
Acesso ao financiamento
A equipa da Hemera Capital Partners, em coordenação com instituições públicas como o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) e o Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA), identifica e selecciona projectos e operadores com potencial de integração na cadeia avícola.
Os planos de negócios são avaliados tecnicamente e, uma vez aprovados, recebem o selo de garantia de primeira perda do fundo. O projecto é encaminhado para a rede de bancos parceiros (públicos e privados) já com o risco mitigado e o plano de negócios blindado, acelerando significativamente a libertação do capital.















